sábado, 16 de julho de 2005

nova temporada.

ao fundo: death cab for cutie - 'transatlanticism'

Então é isso, eu vou mudar um pouco isso aqui, quem sabe trocar a porta de lugar, moer umas esmeraldas e salpicar nas paredes, lavar e torcer as cortinas, arrancar das janelas os adesivos e passar algum líquido que remova também as manchas de cola do vidro, varrer o chão, plantar gerânios e jasmins no jardim, pendurar uma rede na varanda, cantarolar e entrelaçar os dedos por trás da cabeça, deixa esse inverno com semblante tórrido de verão pra mais tarde.
Florianópolis, 15 de julho de 2005 - 19h35min.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

pequeno relatório.

O teclado do computador dessa LAN house é muito do ruim. Mas dá-se um jeito, nem que seja necessário surrar um pouco certas teclas para se extrair delas a função de que se precisa. Escrever, vamos lá.

Só para dizer que estou bem, que Joaçaba continua fria como sempre, que durmo enrolado em dois cobertores e um edredom, isso quando durmo, porque passo a madrugada vendo Bob Esponja, Friends e outras coisas divertidas, que fiquei uma madrugada inteira a escutar o 'Tigermilk' ad infinitum, que terminei 'Cem anos de solidão', que sinto muitas, infinitas saudades, que confirmei a idéia de que a MTV é realmente uma porcaria, que fazia tempo que não comia tantas coisas gostosas em tão pouco espaço de tempo, que na madrugada de quarta para quinta devo estar chegando em floripa, que faço planos para ir ver wilco e the strokes no fim de outubro, que lareiras conseguem cumprir com maestria o seu intuito de aquecer ambientes, que escuto e cantarolo Coldplay, Belle, Cat Power, Smiths, Los Hermanos, Interpol e lembro e sorrio, que preciso cortar meu cabelo e fazer a barba e deixar de lado esse visual de bárbaro visigodo que faz parte da minha recém contraída preguiça de férias, que os crepúsculos aqui são lindíssimos, sempre em céu limpo e ar seco que tornam todas as cores ainda mais vívidas. Estou bem, vamos bem.
Joaçaba, 11 de julho de 2005 - 18h38min.

sexta-feira, 1 de julho de 2005

retalhos ou tinta alimentando papel passageiro.

ao fundo: coldplay - 'square one'.

...mas sabe, bem que eu sentia teus dedos correndo através de meu rosto, superfícies lisas, quentes, removendo-me do estupor de uma noite descansada e descortinando meus olhos, que se banham na luz do dia e têm em teu rosto, em teu sorriso fácil e espontâneo, em teus cabelos, a primeira visão concreta, e a mais importante, do dia...

...pensando bem, dando às variáveis os seus devidos valores, acaba se percebendo que, na verdade, a solução não é bem um chegar, mas um expandir. cada novo cálculo gerando um novo ponto, cada ponto unindo-se ao anterior e ao posterior em grafite curvilínea, estrada corcunda que nunca termina, e sempre se relaciona paralelamente com o que vem antes e vai se relacionar com o que virá depois. mas afastar-se do centro, tal qual no hipotético microscópico do átomo, gera gradualmente mais energia. e todo aquele paralelismo exacerbado e perfeccionista estabelece ligações entre o que se sentiu e o que se sente. tudo se mistura, com cada vez mais força para ficar, com cada vez menos vontade de sumir. Com cada vez mais força para ficar...

...brinco que a insônia nem me precisa perguntar pelo nome quando faz a chamada. dentre seus desafortunados alunos, é possível que eu esteja entre os mais assíduos...

...and then, out of nowhere, as if blown from the serene gardens of paradise, that gorgeous apple blossom made its way through the sky and landed graciously right by my side...

...por exemplo, os crepúsculos, ah, eles não me vêm de outra forma. ainda mais esses de outono, que já passou, mas que revisitam durante o inverno, espalhando lâminas multicoloridas através do céu, um grande prisma que espelha a ebulição incessante do sol. principalmente nesses momentos, em que as ondas de calor geram as últimas miragens, fornecem os abraços finais e a claridade expele seus derradeiros suspiros, nesses instantes em que luz e sombra se confundem numa única massa destituída de características que possam ser alvo de descrição, eu sempre me levanto e grito, internamente, o mesmo sentimento, que passa a ressoar junto com os outros mesmos gritos nas labirintos cavernosos de minha alma, ressoar por todo o tempo e pelo tempo todo, ressoar que eu...
Florianópolis, 01 de julho de 2005 - 06h07min.