sexta-feira, 10 de junho de 2005

Quando a Arte somos nós.

ao som de Wilco - 'jesus, etc.'

Fui inventar de pintar, de escrever algo em alguma camiseta. Claro que o resultado mostrou-se tosco, e, ainda mais, colori mais a mim do que ao próprio objeto, quando derrubei potinhos de tinta e eles caíram, de cabeça para baixo, no meu colo.

-- "Mãe... olha só. (*estende a camiseta com os dizeres, quase que inintelegíveis, "I miss your glow as I unsettle". O desenho que acompanhava as palavras, esse sim era indecifrável, a não ser pelo boneco de palitos que parecia estar pronto a desmoronar ao toque da primeira brisa, tão logo se saísse de casa com a vestimenta*)
-- "Ah, filho, como te caiu bem na cachola a idéia de fazer Letras."
-- "Você ainda não viu muita coisa. (*tira a camisa da frente, mostra a calça, agora basicamente tricolor: verde, preta e azul, com uns respingos de cinza*)
-- "Que combinação mais esquisita de cores, não tinha visto essa calça antes."
-- "É porque ela é nova, mãe. Quer dizer, nova, não exatamente. Na verdade, ela era cinza."

Prova de Latim na segunda, alguém quer estudar comigo?

Mas, antes de mais nada, preciso terminar a carta. Voltemos a escrevê-la.
Florianópolis, 10 de junho de 2005 - 23h06min.

quarta-feira, 8 de junho de 2005

Ah, versos.

ao som de Metric - 'Calculation theme'.


Sol da meia-noite

Primeiros passos, sempre tão pesados
Primeiros passos em direção a lugar nenhum
O fim da linha está logo ali
Mas nada se vê quando se procura o fundo

Estranho sentir o chão tremer
Toda vez que o coração pulsa

-- "Moramos na mesma rua, só que em lados opostos
Por favor, não se perca no meio do caminho
Quero encontrar-te outra vez amanhã."

As luzes de busca continuam acesas
Tem de haver um ponto seguro na cidade
Onde não possam ver quem eu sou

Para onde estou indo?
(se estou indo para casa
por que não reconheço o caminho?)

Lanternas escuras, becos estreitos
Cuidado para não derrubar as latas de lixo
(para onde estou indo?)

-- "Onde você foi parar? Não te vejo em lugar algum...
Por favor, está tão frio aqui
Por que não aparece e diz que..."

Estranho ouvir as vozes
E não saber de onde vêm

Todos correm, mas ninguém está fugindo
O asfalto serpenteia, os edifícios se curvam
Acompanhando o ritmo da respiração

Cada vez mais dentro
Cada vez mais adiante
Cada vez mais próximo
Do fim da linha

-- "Volta... volta... volta...
Eu avisei para tomar cuidado...
Volta e diz que..."

Na placa dos dez metros as pernas pararam
O fim da linha está logo ali
Mas nada se vê quando se procura o fundo

(onde estou? o que é tudo isso? o que devo fazer?)

Quando entrou em casa sem encontrar
Deixou um último suspiro voar em forma de rouxinol

-- "Volta e diz que gosta de mim
Porque eu gosto de você."
Florianópolis, 08 de junho de 2005 - 15h35min.