quinta-feira, 31 de março de 2005

num leve deslizar por sobre os lábios...

ao som de British Sea Power - 'like a honeycomb'

Eu queria poder tocar em teu sorriso, e em mim eternizá-lo como pintura em movimento, que se expande em sentido e abraço a cada novo detalhe que aflora e encanta.
Florianópolis, 31 de março de 2005 - 09h51min.

quarta-feira, 16 de março de 2005

a hora certa nunca será, pois ela já é do jeito que está.

ao som de Stars - 'set yourself on fire'

Olhando pela janela do escritório, vejo um céu sem nuvens. Dilema irrisório esse meu, de ter de caminhar debaixo de um sol implacável até a faculdade, sabendo que vou acelerando o processo de carbonização cutânea a cada metro -- trocando em miúdos, minha pele torra.
É quente lá fora, vento abafado, vapor de forno. E aqui dentro, frio como um frigorífico, condicionadores de ar enormes fazendo entrega domiciliar de pedaços do Ártico. Hora da faculdade, hora do banco, hora de ir atender à voz que fala do outro lado do telefone, reclamando que "o botão esquerdo do mouse não funciona".
Quando essas responsabilidades todas do cotidiano me vêm acossar, eu as advirto: "não vou crescer.", num tom assim, resoluto e indiferente. Elas me querem empurrar; eu me mantenho firme. Elas vêm e vão; eu fico, desenhando animais meigos no jogo de ligar-os-pontos da noite estrelada.
É nesse vai-e-vem de brincadeiras inocentes e de encontrar intensas alegrias em cada pequeno momento que a gente decide: "crescer, afinal de contas, para quê?". Ficamos por aqui, então?
Florianópolis, 16 de março de 2005 - 14h46min.

terça-feira, 15 de março de 2005

capitalize.

ao som de Radiohead - 'dollars and cents'
Relatos curtos, daqueles que não excedem meia página quando redigidos à mão, porque o pouco que fica do pouco que o vento recente traz, a memória oscilante se encarrega de apagar em minutos.
Correria maluca: de sala em sala, de ônibus em ônibus, de fila em fila. Quando se pára, é para perguntar as horas para uma das moças que caminha na direção oposta. Pessoas prevenidas que andam com seus relógios de pulso ou seus celulares, porque o tempo acaba sendo elevado à posição de senhor do homem; em se tratando de uma criatura tão influente, percebe-se que o criador foi passado para trás. Tempo é dinheiro, dinheiro é tempo, e os dois coordenam a sociedade. Sem cérebro, mas com uma brutalidade visceral de dar inveja a qualquer genocida.
Florianópolis, 15 de março de 2005 - 01h17min.

quarta-feira, 9 de março de 2005

religando os aparelhos.

era isso. vamos voltar.
Florianópolis, 09 de março de 2005 - 13h06min.