quinta-feira, 24 de novembro de 2005

24 de novembro de 2005

voltamos, mais uma vez de novo.

sábado, 16 de julho de 2005

nova temporada.

ao fundo: death cab for cutie - 'transatlanticism'

Então é isso, eu vou mudar um pouco isso aqui, quem sabe trocar a porta de lugar, moer umas esmeraldas e salpicar nas paredes, lavar e torcer as cortinas, arrancar das janelas os adesivos e passar algum líquido que remova também as manchas de cola do vidro, varrer o chão, plantar gerânios e jasmins no jardim, pendurar uma rede na varanda, cantarolar e entrelaçar os dedos por trás da cabeça, deixa esse inverno com semblante tórrido de verão pra mais tarde.
Florianópolis, 15 de julho de 2005 - 19h35min.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

pequeno relatório.

O teclado do computador dessa LAN house é muito do ruim. Mas dá-se um jeito, nem que seja necessário surrar um pouco certas teclas para se extrair delas a função de que se precisa. Escrever, vamos lá.

Só para dizer que estou bem, que Joaçaba continua fria como sempre, que durmo enrolado em dois cobertores e um edredom, isso quando durmo, porque passo a madrugada vendo Bob Esponja, Friends e outras coisas divertidas, que fiquei uma madrugada inteira a escutar o 'Tigermilk' ad infinitum, que terminei 'Cem anos de solidão', que sinto muitas, infinitas saudades, que confirmei a idéia de que a MTV é realmente uma porcaria, que fazia tempo que não comia tantas coisas gostosas em tão pouco espaço de tempo, que na madrugada de quarta para quinta devo estar chegando em floripa, que faço planos para ir ver wilco e the strokes no fim de outubro, que lareiras conseguem cumprir com maestria o seu intuito de aquecer ambientes, que escuto e cantarolo Coldplay, Belle, Cat Power, Smiths, Los Hermanos, Interpol e lembro e sorrio, que preciso cortar meu cabelo e fazer a barba e deixar de lado esse visual de bárbaro visigodo que faz parte da minha recém contraída preguiça de férias, que os crepúsculos aqui são lindíssimos, sempre em céu limpo e ar seco que tornam todas as cores ainda mais vívidas. Estou bem, vamos bem.
Joaçaba, 11 de julho de 2005 - 18h38min.

sexta-feira, 1 de julho de 2005

retalhos ou tinta alimentando papel passageiro.

ao fundo: coldplay - 'square one'.

...mas sabe, bem que eu sentia teus dedos correndo através de meu rosto, superfícies lisas, quentes, removendo-me do estupor de uma noite descansada e descortinando meus olhos, que se banham na luz do dia e têm em teu rosto, em teu sorriso fácil e espontâneo, em teus cabelos, a primeira visão concreta, e a mais importante, do dia...

...pensando bem, dando às variáveis os seus devidos valores, acaba se percebendo que, na verdade, a solução não é bem um chegar, mas um expandir. cada novo cálculo gerando um novo ponto, cada ponto unindo-se ao anterior e ao posterior em grafite curvilínea, estrada corcunda que nunca termina, e sempre se relaciona paralelamente com o que vem antes e vai se relacionar com o que virá depois. mas afastar-se do centro, tal qual no hipotético microscópico do átomo, gera gradualmente mais energia. e todo aquele paralelismo exacerbado e perfeccionista estabelece ligações entre o que se sentiu e o que se sente. tudo se mistura, com cada vez mais força para ficar, com cada vez menos vontade de sumir. Com cada vez mais força para ficar...

...brinco que a insônia nem me precisa perguntar pelo nome quando faz a chamada. dentre seus desafortunados alunos, é possível que eu esteja entre os mais assíduos...

...and then, out of nowhere, as if blown from the serene gardens of paradise, that gorgeous apple blossom made its way through the sky and landed graciously right by my side...

...por exemplo, os crepúsculos, ah, eles não me vêm de outra forma. ainda mais esses de outono, que já passou, mas que revisitam durante o inverno, espalhando lâminas multicoloridas através do céu, um grande prisma que espelha a ebulição incessante do sol. principalmente nesses momentos, em que as ondas de calor geram as últimas miragens, fornecem os abraços finais e a claridade expele seus derradeiros suspiros, nesses instantes em que luz e sombra se confundem numa única massa destituída de características que possam ser alvo de descrição, eu sempre me levanto e grito, internamente, o mesmo sentimento, que passa a ressoar junto com os outros mesmos gritos nas labirintos cavernosos de minha alma, ressoar por todo o tempo e pelo tempo todo, ressoar que eu...
Florianópolis, 01 de julho de 2005 - 06h07min.

sexta-feira, 10 de junho de 2005

Quando a Arte somos nós.

ao som de Wilco - 'jesus, etc.'

Fui inventar de pintar, de escrever algo em alguma camiseta. Claro que o resultado mostrou-se tosco, e, ainda mais, colori mais a mim do que ao próprio objeto, quando derrubei potinhos de tinta e eles caíram, de cabeça para baixo, no meu colo.

-- "Mãe... olha só. (*estende a camiseta com os dizeres, quase que inintelegíveis, "I miss your glow as I unsettle". O desenho que acompanhava as palavras, esse sim era indecifrável, a não ser pelo boneco de palitos que parecia estar pronto a desmoronar ao toque da primeira brisa, tão logo se saísse de casa com a vestimenta*)
-- "Ah, filho, como te caiu bem na cachola a idéia de fazer Letras."
-- "Você ainda não viu muita coisa. (*tira a camisa da frente, mostra a calça, agora basicamente tricolor: verde, preta e azul, com uns respingos de cinza*)
-- "Que combinação mais esquisita de cores, não tinha visto essa calça antes."
-- "É porque ela é nova, mãe. Quer dizer, nova, não exatamente. Na verdade, ela era cinza."

Prova de Latim na segunda, alguém quer estudar comigo?

Mas, antes de mais nada, preciso terminar a carta. Voltemos a escrevê-la.
Florianópolis, 10 de junho de 2005 - 23h06min.

quarta-feira, 8 de junho de 2005

Ah, versos.

ao som de Metric - 'Calculation theme'.


Sol da meia-noite

Primeiros passos, sempre tão pesados
Primeiros passos em direção a lugar nenhum
O fim da linha está logo ali
Mas nada se vê quando se procura o fundo

Estranho sentir o chão tremer
Toda vez que o coração pulsa

-- "Moramos na mesma rua, só que em lados opostos
Por favor, não se perca no meio do caminho
Quero encontrar-te outra vez amanhã."

As luzes de busca continuam acesas
Tem de haver um ponto seguro na cidade
Onde não possam ver quem eu sou

Para onde estou indo?
(se estou indo para casa
por que não reconheço o caminho?)

Lanternas escuras, becos estreitos
Cuidado para não derrubar as latas de lixo
(para onde estou indo?)

-- "Onde você foi parar? Não te vejo em lugar algum...
Por favor, está tão frio aqui
Por que não aparece e diz que..."

Estranho ouvir as vozes
E não saber de onde vêm

Todos correm, mas ninguém está fugindo
O asfalto serpenteia, os edifícios se curvam
Acompanhando o ritmo da respiração

Cada vez mais dentro
Cada vez mais adiante
Cada vez mais próximo
Do fim da linha

-- "Volta... volta... volta...
Eu avisei para tomar cuidado...
Volta e diz que..."

Na placa dos dez metros as pernas pararam
O fim da linha está logo ali
Mas nada se vê quando se procura o fundo

(onde estou? o que é tudo isso? o que devo fazer?)

Quando entrou em casa sem encontrar
Deixou um último suspiro voar em forma de rouxinol

-- "Volta e diz que gosta de mim
Porque eu gosto de você."
Florianópolis, 08 de junho de 2005 - 15h35min.

sexta-feira, 27 de maio de 2005

Tão bem.

ao som de R.E.M. - 'At my most beautiful'

À primeira vista, parecia ter planos, faíscas de felicidade cintilando nos olhos escuros, castanhos, profundos, hipnotizantes. O aroma de café tornando a atmosfera ainda mais caseira, em mais uma manhã de outono, seca, fria, aconchegante. Passos ao longe, peças pregadas por uma saudade que é a presença de toda a ausência, a materialização da procura pela acústica harmoniosa da tua voz, tua voz que me chama pelo meu nome e então vai até a cozinha preparar um pouco de chá e, misteriosamente, esvanece em meio a fagulhas de ar e poeira de estrelas.

O chão avesso ao sonho me impulsiona e, arrebatado, procuro nas nuvens pequeno abrigo. O cálice dos sentidos cheio até a borda, calda de pêssegos e morangos, odor almiscarado e penetrante. O tremor sentido nos ossos, de olhos fechados, na negação do ver e na ampliação do ser. Eu, na inocência de sorriso cândido e tépido, percebo que simplesmente não posso fazer transbordar, porque não é a hora, não é a hora. Enquanto frente a meus olhos bailarinas realizam movimentos elegantes em sua coreografia eu percebo que é hora de descer, hora de seguir.

A repetição das sombras, ela me acalma. Sempre no mesmo lugar, aquelas árvores, quando me sento protegido da luz forte e cantarolo as mesmas canções, para ver se, por mágica, um portal se abre e eu daqui vá cair em outro lugar; ou que, de tanto eu pensar, esse outro lugar se faça aqui, ou no meio do caminho, quem sabe até em lugar nenhum, para que possamos criar um novo lugar.

Ao redor, uma chuva de pétalas, de belas florezinhas que eu tão bem conheço, que tão bem são símbolos, que tão bem me fazem.
Florianópolis, 27 de maio de 2005 - 15h27min.

sábado, 21 de maio de 2005

pecilotérmico ao avesso, talvez?

ao som de Interpol - 'precipitate'

Eu havia contabilizado exatos 497 vocábulos, descontando um pouco da repetição exaustiva de pronomes e conjunções, porque meu lápis gagueja como minha garganta, naquilo que seria por alguns visto talvez como um prelúdio a um sentimentalismo barato, mas que seria na verdade uma declaração, um abrir de portas para que minha alma saísse e se confraternizasse com o mundo, com o tempo, com você.

A tripulação de meu barco subindo à superfície. E, com ela, o segredo esmiuçado, o subliminar desabrochando em pétalas envernizadas, o escritor revelando-se avesso a esconder, por mais que escritor que conte tudo seja mau escritor.

Mas vai, você sabe, eu não sou escritor, e também não sou tão bom em revelar, e quando tentei, contabilizei exatos 497 vocábulos... faltaram oito, os oito mais importantes, talvez não os mais importantes, mas aqueles que você sabe que estão em todo o lugar para que eu vou, aqueles que finalizam cartas abrindo uma porção de caminhos, seguindo todos os pontos cardeais.

Parece estranho falar de sensações em dias frios como hoje, não? (Será que está frio aí, hein?) Frio que evoca solidão que evoca dormência que evoca falta de sensações... mas acredito que, em mim ao menos, o frio externo acelere a produção de calor interno, numa lógica que estou pouco a pouco desvendando.
Florianópolis, 21 de maio de 2005 - 17h42min.

domingo, 24 de abril de 2005

será?

ao som de David Bowie - 'starman'

Criança, criança, deixa isso de lado, não tem futuro, não há futuro, você incomoda até as paredes com tanta falta de sentido nessas palavras, nesse conversar sozinho em voz alta.
Paro por aqui, de escrever. Vou para lá, para mais perto de algum lugar onde gostaria de estar. Quem estiver lendo, deve haver alguém, eu sei que há, por favor, me responda. Será que eu chego?
Florianópolis, 24 de abril de 2005 - 00h36min.

sexta-feira, 8 de abril de 2005

sobre sintomas e travesseiros.

ao som de Galaxie 500 - 'fourth of july'

Nariz escorrendo, garganta doendo. Acumulo sintomas e, em consequência, faço literatura de hospital, divulgação de boletins médicos e publicação de prognósticos baseados tão-somente na minha mania feia de ser pessimista e apocalíptico quanto a minha saúde. Que, devo dizer, nunca foi das melhores, mas nunca me trouxe grandes problemas.
Então, poderia fazer um bolão, perguntando qual será o sintoma de amanhã. Mas vai, de humor hediondo já basta o comportamento heróico das tropas americanas no Iraque.
Histórias, histórias, algumas das quais eu devo relatar. E meu recém-adquirido pavor noturno, uma sensação congelante ao se fechar os olhos para dormir. Dez vezes levantar-se, dez vezes sacudir a cabeça e perceber que tudo não passou de um sonho.
Então abraço minha realidade, o céu escuro e estrelado, procuro a Lua, deposito nela uma lágrima e rolo meu corpo em direção a parede, fico desenhando formas incertas com o dedo no sólido gelado. A presença que me ilumina é o que me faz feliz. Longe, mas sempre tão perto.
Estranho eu gravar essas datas, mas na madrugada de hoje completaram-se 365 dias desde o dia em que não mais consegui dormir sem estar agarrado a um travesseiro, pelo menos.
Florianópolis, 08 de abril de 2005 - 12h14min.

quinta-feira, 7 de abril de 2005

Direto da aula de Letras e Informática. :D

ao som de dois condicionadores de ar.

Tosse, além da dor. Mas logo passa, logo passa.
O professor está por lá, mas logo ele volta. Melhor correr, sair depressa, não abusar muito.
Não sei, mas tenho uma impressão estranha de estar me deteriorando, de dentro para fora.
Mas tudo ficará bem, não é? Sim, tudo ficará bem... continue por aqui. Sempre.
Florianópolis, 07 de abril de 2005 - 15h41min.

quarta-feira, 6 de abril de 2005

procura-se um pronto-socorro.

ao som de The Decemberists - 'the engine driver'.

Ah! Dores no peito! Se persistirem e continuarem a pressionar madrugada adentro, a próxima manhã será numa fila de emergência de hospital.
Consigo nem me concentrar direito na música, ou na escrita. Não sei dos motivos, pode até ser muscular -- coisa de quem sempre dorme de mau-jeito, sempre com os braços debaixo do travesseiro, de modo que eles adormecem durante a noite e eu acordo, de um pesadelo, achando que eles não estão mais aonde deveriam estar.
Ou ansiedade, ou ainda saudade. Saudade.
Vou para o quarto, tentar escrever um pouco mais. Coerência, meu rapaz; coerência! Essa dor que nem é dor ainda, é desconforto, por amanhã ela se terá ido para longe.
Mas... e se for saudade?
Florianópolis, 06 de abril de 2005 - 20h56min.

quinta-feira, 31 de março de 2005

num leve deslizar por sobre os lábios...

ao som de British Sea Power - 'like a honeycomb'

Eu queria poder tocar em teu sorriso, e em mim eternizá-lo como pintura em movimento, que se expande em sentido e abraço a cada novo detalhe que aflora e encanta.
Florianópolis, 31 de março de 2005 - 09h51min.

quarta-feira, 16 de março de 2005

a hora certa nunca será, pois ela já é do jeito que está.

ao som de Stars - 'set yourself on fire'

Olhando pela janela do escritório, vejo um céu sem nuvens. Dilema irrisório esse meu, de ter de caminhar debaixo de um sol implacável até a faculdade, sabendo que vou acelerando o processo de carbonização cutânea a cada metro -- trocando em miúdos, minha pele torra.
É quente lá fora, vento abafado, vapor de forno. E aqui dentro, frio como um frigorífico, condicionadores de ar enormes fazendo entrega domiciliar de pedaços do Ártico. Hora da faculdade, hora do banco, hora de ir atender à voz que fala do outro lado do telefone, reclamando que "o botão esquerdo do mouse não funciona".
Quando essas responsabilidades todas do cotidiano me vêm acossar, eu as advirto: "não vou crescer.", num tom assim, resoluto e indiferente. Elas me querem empurrar; eu me mantenho firme. Elas vêm e vão; eu fico, desenhando animais meigos no jogo de ligar-os-pontos da noite estrelada.
É nesse vai-e-vem de brincadeiras inocentes e de encontrar intensas alegrias em cada pequeno momento que a gente decide: "crescer, afinal de contas, para quê?". Ficamos por aqui, então?
Florianópolis, 16 de março de 2005 - 14h46min.

terça-feira, 15 de março de 2005

capitalize.

ao som de Radiohead - 'dollars and cents'
Relatos curtos, daqueles que não excedem meia página quando redigidos à mão, porque o pouco que fica do pouco que o vento recente traz, a memória oscilante se encarrega de apagar em minutos.
Correria maluca: de sala em sala, de ônibus em ônibus, de fila em fila. Quando se pára, é para perguntar as horas para uma das moças que caminha na direção oposta. Pessoas prevenidas que andam com seus relógios de pulso ou seus celulares, porque o tempo acaba sendo elevado à posição de senhor do homem; em se tratando de uma criatura tão influente, percebe-se que o criador foi passado para trás. Tempo é dinheiro, dinheiro é tempo, e os dois coordenam a sociedade. Sem cérebro, mas com uma brutalidade visceral de dar inveja a qualquer genocida.
Florianópolis, 15 de março de 2005 - 01h17min.

quarta-feira, 9 de março de 2005

religando os aparelhos.

era isso. vamos voltar.
Florianópolis, 09 de março de 2005 - 13h06min.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

retorno

a partir de agora, com mais frequência.

=D
Florianópolis, 07 de fevereiro de 2005 - 12h23min.