segunda-feira, 20 de setembro de 2004

Pouco a pouco

Escondi-me do sol. Por mais de uma vez eu senti como se ele ateasse fogo a meus cabelos, incontáveis pavios para bananas de dinamite encrustadas em meu cérebro. Nada explodia, mas cada pontada aguda era seguida por um movimento involuntário de meus braços, um esticar atabalhoado que buscava abafar uma possível faísca que, talvez, houvesse principiado a ignição de uma das bombas.

Uma porção de alarmes falsos, eu poderia dizer. Uma sucessão deles, que devem ter rendido uma ou duas sacolas de risadas prepotentes àqueles que passavam.

É, eu precisava descansar, então joguei futebol. E joguei bem. E marquei dois gols. E terminei de estragar a minha perna direita. E não dormi de forma consistente à noite. Mas antes teve até bolo de chocolate.

E ah! um matar de saudades tão necessário. Eu... quem disse que posso viver sem ela?

terça-feira, 7 de setembro de 2004

Ao encontro do retorno

O que se passa, o que se passa? Entrei num plano mais ou menos singular de idéias, o plano das idéias transparentes, daquelas que preenchem páginas e mais páginas com escritos ocos.

Verdadeiros calhamaços de páginas em branco.

E perscrutava cada aresta de cada volume com a perseverança de quem busca achar um sobrevivente debaixo de uma pilha de escombros e metal retorcido.